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    Doença Arterial Periférica: o que é? Quais são os sintomas? Como se pode tratar?


    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, pelo que a sua prevenção, diagnóstico e tratamento precoce são essenciais.


    A Doença Arterial Periférica é causada pela obstrução das artérias dos membros inferiores, que resulta na diminuição do fluxo de sangue para os tecidos. Assim, os tecidos com défice no aporte de sangue e oxigénio sofrem isquemia. No fundo, esta doença é idêntica à doença coronária, distinguindo-se apenas pelas artérias e territórios afectados.


    É uma doença muito frequente nas idades mais avançadas, com alguns estudos a mostrar uma prevalência de 25% naqueles com mais de 70 anos.






    Os factores de risco mais frequentes são:


    • Tabaco

    • Hipertensão arterial

    • Dislipidemia (alteração do colesterol)

    • Diabetes

    • Insuficiência renal (principalmente nos doentes que fazem hemodiálise)


    Quais são os sintomas da doença arterial?



    O sintoma mais frequente é dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente). Esta dor é sobretudo sentida nos músculos (mais frequentemente nos gémeos, mas pode ser noutros grupos musculares), e surge com o esforço. A dor habitualmente obriga a parar de caminhar e recupera progressivamente com o descanso. As pessoas habitualmente conhecem estes sintomas por má circulação das pernas.


    Outros sintomas que podem surgir são: sensação de extremidades frias, pés e dedos frios, palidez da pele, cansaço, feridas crónicas que não cicatrizam, dor em repouso.


    Em fazes mais avançadas da doença a principal manifestação são feridas crónicas que não cicatrizam. Estas localizam-se sobretudo nas extremidades (dedos dos pés, calcanhar, tornozelo). São feridas de tratamento complicado que podem estar associadas a necrose (morte dos tecidos) e evoluir para gangrena.




    Como se faz o diagnóstico de doença arterial?


    É fundamental a observação pelo médico, para realização de exame físico, palpação de pulsos e história clínica.


    O diagnóstico deve ser confirmado com exames auxiliares. O exame mais útil é o doppler contínuo com índice tornozelo braço. Este exame permite ao médico quantificar a obstrução da circulação das pernas.


    Outro exame útil e não invasivo é Ecodoppler Arterial dos Membros Inferiores, que permite a observação das lesões.




    Quem deve fazer o rastreio?


    A European Society for Vascular Surgery recomenda a realização de rastreio com Índice Tornozelo-Braço a partir dos 65 anos de idade, e a partir dos 50 anos de idade no caso de haver história familiar de doença arterial periférica ou a presença de múltiplos factores de risco cardiovasculares. O doppler contínuo e o Índice Tornozelo-Braço é executado durante a consulta de Cirurgia Vascular.



    Qual o tratamento?



    O tratamento inicial é o controlo de factores de risco. Deixar de fumar, controlo da tensão arterial, controlo da diabetes, alteração da dieta para reduzir o colesterol, prática de desporto.


    São utilizados fármacos para diminuir o risco de progressão da doença e diminuição do risco cardiovascular, com aspirina, clopidogrel e estatina.


    Nos doentes com claudicação e dor ao caminhar significativa, é fundamental o inicio de um programa de treino certificado e por vezes medicamentos para melhor a distancia de caminhada (como o Trental ou Cilostazol).


    Nos casos mais avançados, principalmente quando associados a feridas e gangrena é necessário cirurgia de revascularização. Existem diversas técnicas disponíveis, como a cirurgia de bypass ou o cateterismos. A escolha da técnica de tratamento cirúrgico ou endovascular depende sobretudo do risco cirúrgico do doente e da distribuição anatómica das lesões.



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    Famalicão

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